O que é Jidoka

O termo jidoka é proveniente do idioma japonês e significa “automatização com um toque humano” e trata-se de uma ferramenta conceitual de negócio do sistema Lean Manufacturing.

Também pode ser traduzido como “automação com inteligência humana” permitindo fornecer às máquinas e operadores a capacidade de detectar desvios, falhas e erros.

Pode ser aplicada junto com o sistema JIT (Just in Time) combinada com outras ferramentas de conceito de negócio e otimização de processos.

Esse tipo de automação propicia condições para a geração de autocontrole, ajuda na gestão de qualidade, reduz desperdícios e melhora a qualidade de todo o sistema produtivo.

Neste artigo vamos falar mais dessa abordagem de negócio muito peculiar em sua aplicação das empresas.

O que é jidoka?

Por fazer parte do sistema Lean, ajuda na obtenção de melhorias contínuas e mais qualidade para a produção e os produtos finais de uma empresa.

Lembramos que o sistema Lean propicia uma produção enxuta, com qualidade e equilíbrio de estoque, dentre outros fatores e benefícios envolvidos.

A ferramenta conceitual jidoka refere-se a um tipo de automação inteligente.

Origem

Essa automação inteligente tem sua origem nas primeiras tentativas de automação da máquina de tear fabricada por Sakichi Toyoda.

Até os dias atuais, o fundador da Toyota é reconhecido como um dos maiores inventores do Japão, sendo reconhecido como o inventor da máquina de tear automática.

Surgimento

Porém, quando inventaram a máquina de tear automática, detectaram dois problemas incomuns. No início, a máquina continuava funcionando mesmo diante de um fio rompido, e depois o defeito só era detectado quando o processo estivesse concluído gerando perdas com tecidos defeituosos.

Para evitar esses defeitos e as perdas, era necessário ter um operador tomando conta da máquina, o que encareceria a produção de tecidos ter que colocar um operador em cada máquina em uma fábrica.

Perante esse desafio, ainda nos anos 1920, Sakichi Toyoda criou uma máquina de tear dotada de dispositivo que parava a máquina quando detectava o rompimento da linha.

Ela também parava quando detectava o fim da linha ou detectava a quantidade programada atingida.

Dessa forma, o inventor conseguiu dispensar o operador através de uma solução jidoka. E qual é o objetivo dessa ferramenta conceitual de projeto: reduzir o número de desperdício através da implantação de dispositivos nas máquinas da produção.

Benefícios do Jidoka

Dessa forma, os dispositivos eram responsáveis por alertar se algum problema foi detectado evitando perdas de material, desperdícios de energia e insumos, dispensando excesso de mão de obra e demais tipos de problemas sem prejudicar o fluxo de trabalho.

Mesmo mantendo os operadores empregados, a mão de obra poderia ser mantida para realizar outras tarefas enquanto as máquinas trabalhavam sozinhas de forma autônoma.

Sistema de produção

A aplicação da automação inteligente é fundamental para o sistema de produção. Visando a produção enxuta de excelência, essa ferramenta conceitual e pragmática é um dos princípios mais importantes.

Ela ajuda a empresa a alcançar a verdadeira excelência com menos perdas e custos. Lembramos que toda empresa pode se desenvolver, porém ela precisa de gerar valor para seu cliente através de qualidade de produto e serviço.

O sistema TPS

Em uma empresa de montagem de carros, vemos a aplicação do Jidoka

No sistema TPS (Toyota Production System) a jidoka é definida como automação de toque humano. Mas, sabemos que nem sempre os teares eram automáticos.

O tear automático é uma máquina que gira linha para pano e tecendo têxteis de forma automática, antes da aplicação desse dispositivo, os teares eram de tiras traseiras, destacando os teares à terra e os teares de alta urdidura eram usados para tecer manualmente o pano desde os tempos da primeira Revolução Industrial na Inglaterra.

Quando Sakichi Toyoda inventou o primeiro tear automático, ele o batizou como “Toyoda Power Loom”.

A evolução

Posteriormente, foram incorporadas novas invenções nos teares fabricados posteriores. Dentre as quais podemos citar o dispositivo de parada automática de quebra de trama que possibilitava parar automaticamente o tear quando uma quebra de fio era detectada.

Depois, criou o dispositivo de alimentação de urdidura e o trocador de transporte automático.

No ano de 1924, Sakichi inventou o primeiro tear automático do mundo, denominado “Tear Loom Toyoda Tipo-G”. Este modelo oferecia movimento de mudança de transporte sem precisar parar.

Dessa forma, o termo “jido” é referente a um equipamento com dispositivo que permite automação permitindo que a máquina atue sozinha. A adição do sufixo “ka” refere-se ao toque humano.

Sendo assim, a palavra jidoka significação “automação com toque humano”, ao contrário de uma máquina que simplesmente se move sob o monitoramento e supervisão de um operador na linha de produção.

A venda da patente

O inventor do tear automático vendeu a patente para uma usina do Reino Unido, a partir de então o Toyoda conseguiu levantar dinheiro para financiar o novo negócio de sua família, a fabricante Toyota.

O conceito e as soluções de automação foram mantidas no projeto de fabricação de carros.

Tanto que, até o ano de 1949, as atividades de fabricação e controle de qualidade no país do sol nascente, geravam inspeções rigorosas executadas por inspetores especializados.

Porém, com o passar das décadas e com a evolução dos dispositivos tivemos a evolução do controle de qualidade.

Nas últimas décadas, entre o século XX e XXI, cerca de 5% dos empregados das fábricas japonesas são inspetores, e nas maiores companhias pouco mais de 1%, em contraste com a América e Europa, onde as atividades de Controle de Qualidade raramente são de incumbência do operador de linha.

Continue lendo: Saiba mais sobre qualidade, com a metodologia QFD

Evolução do conceito

O conceito e a aplicação jidoka se espalharia por todo o mundo. O conceito surgiu com uma máquina de tear auto-ativada inventada por Toyoda e se tornou um dos pilares do Sistema Toyota de Produção.

Essa automação inteligente está ligada com o conceito de qualidade. Trata-se de um conceito muito importante, pois revolucionou a forma como os funcionários trabalham nas empresas.

Benefícios

Numa visão concentrada, a aplicação do jidoka ajuda a diminuir o número de inspetores que se localizam fora do processo de manufatura. Geralmente, na ausência de dispositivos e automação, os inspetores aplicar inspeções sem gerar valor, o que eleva os custos de produção sem aumentar a produtividade.

Os passos da automação

A automação inteligente não se aplica somente detectando uma anomalia e parando a máquina ou processo.

O planejamento e a aplicação do jidoka devem atingir algo mais elevado, podendo abranger também a correção de condições anormais e investigação da causa raiz dos problemas.

Essa automação possui quatro passos fundamentais:

– Detectar a falha ou anormalidade;

– Parar;

– Corrigir ou consertar imediatamente a condição anormal;

– Investigar a causa raiz.

A aplicação em passos

Para planejar a detecção das falhas e paradas é importante um diagnóstico, análise e ferramentas para solução de problemas. Para corrigir e investigar é importante que haja total domínio das pessoas envolvidas.

No início, quando se identifica a falha, ela pode ser detectada tanto em processos que envolvem máquinas quanto em processos que envolvem pessoas numa ação manual.

Por outro lado, quando o processo de produção envolve a máquina, é orientado inserir serviços de automação industrial, com utilização de dispositivos mecânicos, elétricos e eletrônicos. Esses dispositivos podem ser, por exemplo, sensores, atuadores e sinalizadores.

O uso desses sensores pode ajudar a indicar automaticamente qualquer anormalidade. Mas, caso processo for manual, outros tipos de dispositivos devem ser criados para que os operadores possam informar o problema.

Os dispositivos a serem usados para detecção de problemas e parada são as botoeiras de acionamento, Andon de sinalização, luminoso ou mesmo monitores informativos.

Posteriormente, é importante que a equipe seja treinada para parar as máquinas em caso de erro e saber solicitar ajuda técnica.

Sabemos que ao informar uma falha em determinada linha de produção, será necessário uma grande parada até que o problema seja resolvido.

As linhas de produção

A aplicação do jidoka influencia muito nas linhas de produção. É importante que as linhas de produção sejam divididas em seções com estações de trabalho.

Possibilita a criação de “buffers” ou folgas na linha para que quando uma estação de trabalho notificar o seu problema, toda a linha continue a produzir dentro de determinado ciclo para resolver a situação.

Qual é a diferença entre autonomação e automação?

Aplicação do Jidoka

A autonomação refere-se à automação com inteligência humana, com a capacidade de identificar falha no produto e realizar a parada. A automação é a capacidade da máquina se guiar e emitir alertas sozinhas através de detectores sob vigilância humana.

Conclusão

Portanto, o jidoka permite detectar os problemas quando acontecem. É referente a um conceito de metodologia de produção que visa identificar se uma falha ocorre durante o processo de produção na fábrica.

A sua aplicação ajuda muito a criar fluxos produtivos, contínuos e estáveis. Cria a cultura da prevenção e correção de defeitos.

Permite identificar e eliminar as causas dos desperdícios causados pela falta de qualidade, liberando a força de trabalho humano para atuar em outras frentes de produção e qualidade.

Ajuda a aprimorar a produtividade e estabelece melhores ações contra a recorrência de problemas, através de soluções definitivas em nível sistêmico, incorporando elementos que assegurem a qualidade na origem e no resultado.

Leia mais: Veja também artigo da Universidade Stanford sobre o Jidoka: http://bit.ly/2OQeTEo

gemba

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